Não, não pensem que estou falando de alguma tribo cigana que tenha por mascote o cão da raça dálmata Apenas a constatação que ate agora ainda não acharam o grupo para encaixá-lo, ora ele esta no grupo luxo e companhia, ora somente companhia e. mais recentemente, no sexto grupo da FCI, ou seja, cães do tipo sabujo e rastreadores, até o próximo humor dos senhores que classificam as raças entre os dez grupos
Quem ó criador da raça - onde há 21 anos tento criar, me aperfeiçoar e entende-la - sabe como esta classificação está longe de levar o dálmata a suas origens. Se não, vejamos.
Nos tempos em que o meio de transporte era a romântica carruagem, La se encontravam os populares
pintados não dentro do veículo, como deveriam estar se de companhia fossem, mas no meio dos cavalos, entre os seus eixos, para dar guarda e proteção a eles. evitando a agressão de lobos coiotes e hienas, por esse motivo, na última revisão do padrão, no item altura esta foi reduzida em mais de dois centímetros, tanto para machos como femeas, para resguardar a SUA PRIMITIVA FUNÇÃO, de movimentar-se folgadamente entre os eixos das carruagens. Dai a razão da empatia que existe entre o dálmata e o cavalo, haja vista a movimentação semelhante entre esses dois animais. Aliás, uma das características mais importante no padrão racial é, justamente a movimentação.
O segundo o motivo. para reforço da tese da inadequação do grupo em que o dálmata esta inserido, foi a sua inestimável ajuda na Segunda Guerra Mundial Entre Pastores. Dobermanns e outras raças o Dalmata foi considerado o mais eficiente no trabalho de detectar minas, percorrendo, como mensageiro entre um batalhão e outro, abrindo um caminho seguro para o deslocamento das tropas.
A terceira razão e parcialmente conhecida pelo grande público. Digo parcial porque o que é público é o Dálmata ser o mascote do Corpo de Bombeiros. O que poucos conhecem ô a razão pela qual o dálmata foi escolhido para a função Por sua beleza? Por ser um cão companhia? Pela sua popularidade? Não, não e não. O motivo foi, mais uma vez de trabalho. Não que o Dálmata fosse salvar alguém de um prédio em chamas, mas. sim, por ter uma capacidade toráxica muito grande, ele tinha a facilidade de entrar rapidamente nesse mesmo prédio, permanecer mais tempo na busca de alguma vítima e finalmente sair avisando, com seus laudos, a presença de alguém nos escombros. Dado o aviso conduzia o Corpo de Resgate até onde se encontrava a pessoa.
Diante de tais provas do alto grau de trabalho em variadas situações, em todas desempenhando com êxitos as tarefas a eles destinadas, podemos, tranqüilamente, afirmar: O Dálmata é um cão de companhia como todo o cão o é para seu proprietário. Mas, sem a menor sombra de dúvidas, ele é, principalmente, um cão de trabalho, de defesa e porque não dizer, de resgate.
Enfim, voltando ao título da maioria, pode até existir dálmatas percorrendo com seus donos ciganos mundos e mundos, vivendo uma vida de autênticos nômades. Mas, asseguro que estarão cumprindo tarefas de defesa e ajuda a essas milenares tribos.
Eneida Hanke
Proprietaria do Canil Pontal da Solidao.